segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

POLÍTICA: PARA NÃO SER IDIOTA

CPIs, cassações, dinheiro na mala e na cueca, lei da ficha limpa aprovada com ressalvas. Muitas vezes, no Brasil, o cidadão tem a impressão de que é tratado como idiota por seus políticos. Mas você sabia que a palavra “idiota” vem do grego e significa “aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política”? Principalmente neste ano eleitoral, ao escolhermos os políticos que irão nos governar nos próximos quatro anos, é hora de não sermos idiotas no sentido originário da palavra. Assim, mais à frente, não teremos a sensação de sermos tratados como idiotas – agora no sentido mais comum da expressão. Para desenvolver a discussão sobre política com a população, a Papirus 7 Mares lança o livro Política: Para não ser idiota.

De autoria dos filósofos Mario Sergio Cortella e Renato Janine Ribeiro, a obra tem como objetivo levar o conhecimento sobre política para aqueles que pouco sabem do assunto ou que não se interessam por ele, promovendo assim um debate profundo a respeito do tema. “Sempre achei a discussão no Brasil muito pobre, então quisemos sair desse ‘nível de pobreza’, em que se priorizam detalhes, e não o essencial”, conta Ribeiro.


De acordo com ele, é importante que as pessoas sejam atuantes, que discutam sobre o que acontece na política, caso contrário não terão espaço de ação, politicamente falando. “Eu acho que se trata da autonomia que as pessoas têm. Ou você tem autonomia ou será gerido por algo que você não controla, mas que vai cuidar da sua vida”, explica o autor.

Parte da coleção Papirus Debates, o livro é apresentado ao leitor em forma de bate-papo entre os autores. São, ao todo, 12 capítulos que tratam de assuntos como atos políticos, corrupção e transparência na política, cidadania, confronto e consenso, quem deve ser o dono do poder, encargo e patrimônio, entre outros.
Na obra, política não se relaciona apenas com eleições ou poder. Trata-se também de questões de convivência. “Política não é partido (político). Partido é uma das formas de fazer política. Faz-se política na família, na igreja, no trabalho, na escola e também na gestão pública. Desse ponto de vista, é preciso se interessar por política para não cair numa postura individualista, tolamente exclusiva”, pontua Mario Sergio Cortella.

Outro ponto de destaque do livro é a discussão da “obrigatoriedade” da política no Brasil (as pessoas são obrigadas a votar, as redes de televisão e as emissoras de rádio são obrigadas a transmitir a propaganda eleitoral etc.). O que leva à discussão sobre a missão da política e da democracia. “Eu e o Mario Sergio Cortella temos pontos divergentes quando o assunto é a política ter completado a sua missão. Será que a democracia completou seu ciclo ou ainda há mais a se democratizar?”, questiona Ribeiro.

Cortella, por sua vez, enfatiza o capítulo no qual ele e Ribeiro debatem a política como tema de sala de aula. “[O tema] precisa ser tratado em sala de aula. Há pessoas na escola que caem na armadilha de dizer ‘nesta sala de aula não se fala de política, só de cidadania’, e isso é estranho, porque na prática é a mesma coisa, o que muda é o idioma de origem (política vem do grego, cidadania do latim). A política não pode se ausentar do conteúdo da sala de aula”, sinaliza.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Emprego é fonte de renda,
trabalho é o que dá sentido à vida

Em Vida e carreira: Um equilíbrio possível?, Mario Sergio Cortella e Pedro Mandelli mostram o erro que é tentar separar o lado pessoal do profissional e garantem que é possível ser feliz
  

Seu Antônio começou a vida profissional aos 17 anos, como contínuo (uma espécie de office-boy) em um banco. Trabalhou na instituição e lá se aposentou, tendo uma vida plena e feliz. Seu neto, aos 30 anos, já passou por 10 empresas e demorou a concluir o ensino superior porque trocava de curso constantemente. Qual dos dois teve uma carreira mais feliz? O que mudou entre uma geração e outra?  Vida e carreira: Um equilíbrio possível? (Papirus 7 Mares, 112 pp., R$ 39,90) responde a essas e outras questões.

O assunto é debatido por dois grandes consultores: Mario Sergio Cortella, filósofo, educador e palestrante. E Pedro Mandelli, especialista em gestão de pessoas e ex-colunista da revista Você S/A. Logo no início, Cortella dispara: não existe diferença entre vida profissional e vida pessoal. “As pessoas erroneamente pensam que vida pessoal e vida profissional caminham separadas. Na realidade a profissional está contida dentro da pessoal, isto é, a profissional é apenas uma dimensão da vida pessoal. O que temos que compreender é que, em determinados momentos, viveremos mais intensamente a vida profissional e, em outros, viveremos mais intensamente a vida pessoal”, explica.

Na obra, os autores falam de suas trajetórias profissionais, da construção da carreira, das conexões entre estabilidade e segurança, de como diferentes gerações se relacionam com o mercado de trabalho e a carreira, das contribuições da tecnologia, de planos e projetos para o futuro, além de abordarem a questão da felicidade na carreira.

O último tópico citado, aliás, permeia boa parte do livro. “Esse é um viés meu e do Mario. Nós dois somos pessoas felizes. A gente defende a tese de que o trabalho é parte da sua vida. E na sua vida você precisa fazer um conjunto de escolhas pra que não viva uma vida ‘pesada’, mas consiga se sentir feliz”, conta Mandelli.

Cortella completa: “O livro vem trazer luz a essa questão que atualmente é crucial na vida das pessoas. Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem que estão infelizes por causa do emprego e que no dia em que forem fazer o que realmente querem ou estiverem onde querem estar, aí sim serão felizes. Felicidade não é uma constante, são episódios. Nós só gostamos da felicidade por causa de sua ausência. Se eu fosse feliz o tempo todo, não seria feliz”.

Para aproveitar bem a leitura da obra, Cortella ressalta que é preciso ter em mente que o livro não é um manual, principalmente para quem ainda tem dúvidas em relação à carreira (ou às mudanças nos rumos dela). “No livro se encontram informações que podem te levar a uma resposta sobre quando é o momento de trocar de emprego, por exemplo, mas é você quem deve decidir esse passo”, analisa o autor.

Outro ponto que, segundo Cortella, deve ficar bem claro é com relação à diferença entre trabalho e emprego e entre cansaço e stress. São fatores que, muitas vezes, podem levar a pessoa a pedir demissão ou se sentir infeliz com o que faz. “Emprego é fonte de renda. Trabalho é onde você encontra sentido naquilo que você está fazendo. Muitas vezes o trabalho e o emprego andam juntos, mas muitas vezes não. Por sua vez, o cansaço é consequência de uma atividade muito intensa e o stress é consequência de quando fazemos algo em que não vemos mais sentido. Realizar algo que não se compreende o porquê de estar realizando estressa”, explicita.

De acordo com Pedro Mandelli, a área de gestão de pessoas – e consequentemente todo o trabalho de recursos humanos – mudou muito nos últimos anos como resultado das alterações de pensamento com relação à carreira e das próprias corporações. “Só para se ter uma ideia, há 20 anos a empresa dava ‘sobrenome’ às pessoas que nela atuavam. Hoje ela é uma parte transitória na vida das pessoas. Por outro lado, mudou o valor que cada um tem dentro do próprio local onde trabalha, mudou a expectativa em relação ao trabalho, mudou o papel do chefe, a forma de remuneração. Enfim, mudou tudo!”, conta.

Para os dois autores, o livro deve ser lido por todas as pessoas, pois toca em um assunto de extremo interesse a todos. “As pessoas olhariam as empresas de um jeito diferente. As pessoas veem [a empresa] como depositório das suas esperanças, e na verdade a esperança tem que estar dentro da própria pessoa, ela tem que assumir os seus rumos e seus caminhos, e as empresas fazem parte desse jogo. Daí o título do livro”, finaliza Mandelli.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

NUTRIÇÃO: INTERDISCIPLINARIDADE NA PRÁTICA

Autoras sugerem práticas para serem adotadas dentro e fora da sala de aula, com base em informações nutricionais e discussões pedagógicas interdisciplinares

Qual a base de nossa alimentação? Gostamos de legumes e suco de frutas ou preferimos fast-food e refrigerante? Nossas escolhas influenciam, e muito, nossa saúde. Obra da educadora Karen Currie e da nutricionista Sheila Currie de Carvalho, Nutrição: Interdisciplinaridade na prática (Papirus, 352 pp., R$ 59,90) sugere propostas de trabalho voltadas a todas as disciplinas, sobre esse tema tão importante.

Hoje em dia, há muitas informações disponíveis sobre alimentos e dietas. Mas será que sabemos interpretá-las? As autoras chamam a atenção para o número de problemas de saúde decorrentes de maus hábitos alimentares, que cresce drasticamente na sociedade atual. “Por exemplo: em torno de 80% das doenças do coração e 90% dos casos de diabetes têm uma ligação estreita com hábitos de vida e alimentação. Uma dieta saudável afeta positivamente todos os aspectos da vida – comer bem é fundamental”, apontam Karen e Sheila. “Mas será que a população sabe o que significa ‘comer bem’? Esses dados nos levam a crer que é essencial incluir no currículo de nossas escolas propostas pedagógicas que contribuam para a educação alimentar das futuras gerações”, alertam.

O livro tem como objetivo principal pensar uma pedagogia interdisciplinar tomando como tema gerador a nutrição. “Não pretendemos oferecer receitas prontas, mas, de vez em quando, ilustraremos nossas propostas de trabalho com relatos de experiências pedagógicas já realizadas”, explicam as autoras.

Nutrição: Interdisciplinaridade na prática valoriza o diálogo entre as autoras e o leitor, a forte relação entre teoria e prática, além de colocar o aluno como protagonista ativo, que participa de situações comunicativas concretas nas quais sua contribuição é respeitada. É possível também encontrar na obra muitas sugestões de práticas para serem adotadas dentro e fora da sala de aula, com base em informações nutricionais e discussões pedagógicas explicitamente interdisciplinares. Lembrando que a motivação é importante fator de sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

A obra é voltada principalmente a professores da educação fundamental, mas atende também a educadores que atuam em outros níveis de ensino. Após a leitura, é possível colocar a teoria em prática e garantir uma aprendizagem interdisciplinar que faça sentido para os alunos. Então, professor, mãos à obra!

CONHECE-TE A TI MESMO... E MOTIVA-TE


Metas, objetivos, planos de ação, planejamento estratégico, motivação. Juntas, assim, essas palavras parecem estar relacionadas apenas com o universo corporativo ou com a área de vendas - em especial, o termo motivação, que tem sido fonte inesgotável de livros de autoajuda e palestras em empresas nos últimos anos. No entanto, como motivar uma dona de casa ou um estudante? Ou, melhor ainda, como fazer com que as pessoas descubram por elas mesmas o que realmente as motiva? O livro Motivação: Do querer ao fazer (Papirus 7 Mares, 144pp., R$ 41,90) reúne ideias e demais questões ligadas à motivação debatidas por dois ícones na área: o antropólogo, professor e consultor de empresas Luiz Marins - mais conhecido como professor Marins - e o especialista em educação corporativa, colunista de várias revistas, Eugenio Mussak.

"A finalidade desse livro é estimular o pensamento das pessoas acerca do tema motivação. Existe hoje uma grande quantidade de publicações superficiais sobre o assunto. Assim como no futebol, todo mundo tem sua opinião sobre motivação, mas poucas são as pessoas que se debruçaram para estudar profundamente o tema. Nesse livro você encontra grande riqueza de informações sobre o que é motivação", explica Mussak.

Para Eugenio Mussak é destaque na obra a questão da vontade humana. "O Marins levanta esse ponto e coloca a vontade como um valor que chega a ser mais importante do que o conhecimento. Pois o conhecimento depende da vontade para ser transformado em benefício para a pessoa", diz. "Pense nas Olimpíadas, que são extremamente simbólicas, pois são o espetáculo do ser humano vencendo a si próprio. Na antiga Grécia, onde os jogos surgiram, as pessoas queriam exibir-se aos deuses e se reuniam com a finalidade de mostrar quem era o mais rápido, o mais forte e quem ia mais longe. A grande motivação delas não era competir umas com as outras, e sim competir consigo mesmas, provando ser cada vez melhores. Se conseguirmos motivar as pessoas com esse princípio grego, buscando vencer seus limites, o livro se justifica", completa Mussak.


Ambos concordam que o que motiva as
pessoas é o desafio, independentemente do tipo de trabalho que realizam. "Se você não conseguir motivar outra pessoa pelo desafio é porque provavelmente não é o desafio certo para aquela pessoa ou a pessoa certa para aquele desafio. O mundo corporativo está recheado de desafios. Ser melhor que o outro pressupõe que você é igual ao outro, e a política é ser melhor do que você mesmo. Até no caso da dona de casa. O que é esgotante na vida dela é que sua rotina parece não ter fim. Ela faz o trabalho em casa hoje, ao longo do dia, e amanhã terá que fazer tudo de novo, porque ele não termina. A metáfora do Sísifo se aplica a essa situação. Durante o dia, ele empurrava uma pedra montanha acima e, à noite, ela descia encosta abaixo. Esse era o castigo dos deuses por terem sido desafiados por ele. A questão aqui não é levar a pedra repetidamente até o topo, e sim empurrar a pedra com cada vez mais qualidade. Não importa o resultado. Ele vai ser uma consequência da qualidade com que você realizou sua tarefa. Quanto mais empenho, mais amor, melhor será o resultado. Uma forma de você diminuir a angústia pela rotina é essa. Jamais atingiremos a perfeição, mas nossa missão é buscar a excelência, que é um comportamento que nos permite sonhar com a perfeição", conclui Mussak.

Para Marins, o grande destaque da obra é o fato de levantar o verdadeiro sentido da motivação. "Como eu digo no livro, a maioria das pessoas confunde motivação com autoajuda ou com emoção, mas na realidade, motivação tem pouco a ver com emoção. A motivação é composta pelo conjunto de motivos, de razões de ordem lógica, racional e cartesiana que levam o indivíduo a fazer suas opções na vida. Viver é optar, não é verdade?", questiona o professor, que complementa dizendo que a motivação nos une em direção à construção de uma vida e não apenas orienta para alcançar um resultado de curto prazo.

Por ser escrito em forma de diálogo entre os dois especialistas, o livro é de fácil leitura e traz discussões sobre inteligência, desejo, necessidade e inovação.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CELSO LODUCCA ENTREVISTA PERSONALIDADES EM GRANDES CRIATIVOS
Obra aborda processo criativo de profissionais contemporâneos
 das mais diversas áreas

O livro Grandes criativos (Papirus 7 Mares, 320 pp., R$ 59,90) é resultado de uma série de debates mediados pelo publicitário Celso Loducca na Casa do Saber, em São Paulo, a fim de discutir a criatividade. Na ocasião, ele recebeu oito profissionais das mais diversas áreas com o objetivo de refletir sobre o processo criativo de cada um.

Na obra, que é fruto de uma parceria entre Casa do Saber e Papirus Editora, estão registradas as entrevistas na íntegra, além das perguntas feitas pelo público presente nos debates. Além dos já citados, o chef de cozinha Alex Atala e o designer Marcelo Rosenbaum compõem a relação de entrevistados.

Loducca conduz cada entrevista como se fosse uma conversaentre amigos que expõem suas particularidades no processo criativo. Para Eduardo Srur, a criatividade é imperceptível e natural: “Acho que a criatividade pode ser comparada a uma respiração que, durante o processo de trabalho, vamos esquecendo”.

Para Ronaldo Bastos, talvez não exista uma explicação para a criatividade. “Acho que há um dom”, diz. Marçal Aquino, embora não acredite em inspiração, entende que cada um tenha uma tendência para algo que, se descoberto a tempo, possa ser desenvolvido: “O problema é que muitas pessoas passam a vida sem saber direito no que são boas”.

Ao transitar pelas áreas de gastronomia, teatro, artes plásticas, design, música, jornalismo e literatura, os criativos falam de suas inspirações e trajetórias profissionais de maneira descontraída e completam um diálogo produtivo e imperdível com Celso Loducca.