segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Em parceria inédita, Mario Sergio Cortella e Gilberto Dimenstein discutem a curadoria do conhecimento em lançamento da Papirus 7 Mares


O livro A era da curadoria: O que importa é saber o que importa! Educação e formação de pessoas em tempos velozes traz o encontro promovido pela coleção Papirus Debates entre o filósofo Mario Sergio Cortella e o jornalista Gilberto Dimenstein que discutem, entre outros temas, a importância da curadoria do conhecimento e destacam o elo entre educação e comunicação.

Com a expertise que lhes credencia discorrer sobre diversos aspectos da cidadania e da educação, os autores focam a conversa na figura do curador – o que consideram ser aquele que conhece, cuida e põe à disposição o que sabe de modo que seja uma referência e que também proponha uma reflexão.

Cortella e Dimenstein destacam ainda o eixo indissociável entre a educação e a comunicação, e como são vitais para a qualidade do ensino as relações interpessoais, as experiências vividas na prática, no dia a dia. De acordo com Cortella, “não temos que tirar as crianças da rua e levá-las para a escola; temos sim que levar a rua para dentro da escola, levar aquilo que elas vivenciam no cotidiano, de maneira que possamos oferecer-lhes algo que as emocione”. 

Curadoria em tempos de WhatsApp

Na era digital, em que há informações por todos os lados, o papel do curador é fundamental. “Estamos assistindo a um processo darwinístico da informação. O indivíduo acessa o Google e vem um vendaval de possibilidades de informação. E isso só está aumentando, a atenção está cada vez mais dispersa. Vivemos numa era em que todos são ao mesmo tempo consumidores e produtores de informação”, observa Dimenstein.

Ainda que em alguns pontos os autores olhem em direções diferentes, tanto Cortella quanto Dimenstein asseguram que a curadoria é necessária para que haja um direcionamento que filtre o que realmente é interessante em meio à avalanche de notícias, mensagens, vídeos e todo tipo de informação que chega até nós diariamente. Afinal, o que importa é saber o que importa.


Sobre os autores

Mario Sergio Cortella é graduado pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, com mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo sob a orientação de Moacir Gadotti. Lá também cursou o doutorado em Educação, desta vez orientado por Paulo Freire. Professor titular do Departamento de Fundamentos da Educação e da pós-graduação em Educação da PUC-SP, onde atuou por 35 anos, em 30 deles também esteve ligado ao Departamento de Teologia e Ciências da Religião. Foi secretário municipal de Educação de São Paulo (1991/1992) e membro conselheiro do Conselho Técnico-Científico da Educação Básica da Capes/MEC (2008/2010). É autor de mais de 20 livros, entre eles, Ética e vergonha na cara! (2014), com Clóvis de Barros Filho, e Política para não ser idiota (2010), com Renato Janine Ribeiro, publicados pela Papirus 7 Mares.

Gilberto Dimenstein nasceu em São Paulo (SP), em 1956. Iniciou a carreira como jornalista em 1977, na revista Shalon (SP), da Comunidade Judaica do Brasil. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, é comentarista da rádio CBN (SP). Autor de reportagens de repercussão nacional e internacional sobre a violência contra crianças, coleciona em sua jornada a criação da entidade Cidade Escola Aprendiz, do site Catraca Livre e do programa Mais São Paulo. É autor, entre outros livros, de O mistério das bolas de gude: Histórias de humanos quase invisíveis (2006), pela Papirus Editora. Em coautoria, assina: É rindo que se aprende (2011), com Marcelo Tas; Prazer em conhecer: A aventura da ciência e da educação (2008), com Drauzio Varella e Miguel Nicolelis; e Escola sem sala de aula (2004), com Ricardo Semler E Antonio Carlos Gomes da Costa, todos esses publicados pela Papirus 7 Mares.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Política: Para não ser idiota

Devemos conclamar as pessoas a se interessarem pela política do cotidiano ou estaríamos diante de algo novo, um momento de saturação do que já conhecemos e maturação de novas formas de organização social e política?

Esse livro apresenta um debate inspirador sobre os rumos da política na sociedade contemporânea. São abordados temas como a participação na vida pública, o embate entre liberdade pessoal e bem comum, os vieses de escolhas e constrangimentos, o descaso dos mais jovens em relação à democracia, a importância da ecocidadania, entre tantos outros pontos que dizem respeito a todos nós. Além dessas questões, claro, esses pensadores de nossa realidade apontam também algumas ações indispensáveis, como o trabalho com política na escola, o papel da educação nesse campo, como desenvolver habilidades de solução de conflitos e de construção de consensos.

Enfim, um livro indispensável ao exercício diário da cidadania.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"O retorno e terno"...

A ideia para uma crônica me vem sempre como uma experiência de alegria, mesmo que o assunto seja triste. Ela aparece repentinamente, nos momentos mais inesperados, como a visão de uma imagem. O que tento fazer é simplesmente pintar com palavras a cena que se configurou na minha imaginação.

Sou psicanalista. Meu trabalho se baseia na escuta. Cada cliente fala e, ao fazer isso, me permite andar nas paisagens da sua alma. Ao escrever uma crônica faço o contrário: sou eu que ofereço as paisagens da minha alma aos olhos dos meus leitores. E eles, sem o saber, são os meus psicanalistas...

O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com os seus olhos aquilo que todos vêem sem se dar conta disso. E o que se espera é que as pessoas tenham aquela experiência a que os filósofos Zen dão o nome de "satori": a abertura de um terceiro olho, para que o mundo já conhecido seja de novo conhecido como nunca o foi.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DESAFIOS DA APRENDIZAGEM
Lino de Macedo e Rodrigo Bressan discutem em livro como as neurociências podem ajudar no processo de aprendizagem



O que é aprender? Como a aprendizagem acontece? E os transtornos mentais? Qual é o papel da escola nesses casos? Desafios da aprendizagem: Como as neurociências podem ajudar pais e professores (Papirus 7 Mares, 128 pp., R$ 39,50) discute essas e outras questões e procura mostrar de que modo os estudos em neurociências podem lançar luz sobre vários aspectos do desenvolvimento de crianças e adolescentes na escola.

“O problema da escola de hoje, inclusiva ou para todos, é o de possibilitar que todas as crianças e jovens, no limite de suas possibilidades, aprendam, o que implica considerar suas condições orgânicas, sociais, cognitivas, emocionais e físicas”, explica Lino de Macedo. “Por comparação”, continua ele, “se o problema da escola de ontem era o de ensinar, o da atual é o do aprender em seu duplo sentido: cognitivo (aprender conceitos e operações) e socioemocional (aprender a conviver em um contexto institucional com regras e limites comportamentais)”.

Como observa Rodrigo Bressan, este é o grande desafio da escola: ela precisa saber lidar com todos os perfis de indivíduos, ajudar no bom desenvolvimento dos alunos que têm um funcionamento dentro da normalidade, ou da média, mas também amparar aqueles que são ligeiramente desviantes ou que possuem um comprometimento maior.

 “Há crianças que aprendem a falar e a dominar a linguagem escrita mais tardiamente que outras, por exemplo, e é fundamental entender e acolher essa diversidade dentro da escola. Isso é um grande desafio, pois a escola é naturalmente uma instituição normatizadora, que busca trazer todos os alunos para um padrão”, explica Bressan.

Nesse contexto, buscar informação é fundamental para saber diferenciar, por exemplo, os casos de transtorno mental, que são normalmente vistos como graves. Imagina-se que os tratamentos não funcionem e que o uso de medicamentos seja sempre necessário. Para os autores, é preciso ensinar e mostrar que os transtornos mentais são comuns, tratáveis e que apenas uma pequena minoria representa situações mais difíceis.

As pesquisas apontam o quanto o preconceito atrapalha a prevenção e o tratamento. O conhecimento leva à diminuição de estigmas, que é um dos objetivos desse livro.


Sobre os autores:

Lino de Macedo é professor titular aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). No Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, orientou 80 teses de doutorado e dissertações de mestrado. Sua atuação como docente e pesquisador volta-se à área de psicologia do desenvolvimento. Dedica-se ao estudo do uso de jogos e brincadeiras como recursos de observação e promoção de processos de desenvolvimento e aprendizagem. Membro da Academia Paulista de Psicologia, também integra o Instituto Pensi da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, em nome do qual participa do conselho deliberativo e da comissão científica do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI). Participou do grupo que concebeu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o atual currículo da escola fundamental II e do ensino médio do estado de São Paulo.


Rodrigo Affonseca Bressan é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com mestrado e doutorado em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde atua como professor-adjunto livre-docente no Departamento de Psiquiatria. É ainda professor honorário no Instituto de Psiquiatria do King's College, da Universidade de Londres, onde realizou seu pós-doutorado. Integra o conselho consultivo da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Pessoas com Esquizofrenia (Abre). Coordena o Programa de Esquizofrenia (Proesq) e o Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas (Linc) da Unifesp, e também o Grupo de Imagem Molecular do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Eisntein.