segunda-feira, 26 de março de 2018

O INFERNO SOMOS NÓS!

A cultura de paz é tema de conversa em livro de Leandro Karnal e Monja Coen, que mostram como o conhecimento, de si e do outro, é capaz de produzir uma nova atitude na sociedade, menos agressiva e mais acolhedora

A intolerância suscita sentimentos ruins e atos violentos. Como transformar a cultura de violência disseminada pelo planeta em cultura de paz? Como fazer com que as relações humanas sejam permeadas pelo diálogo e pela tolerância, diante da diversidade de pessoas, de opiniões e de culturas?  Em O inferno somos nós: Do ódio à cultura de paz (Papirus 7 Mares, 112 pp., R$ 29,90), o historiador Leandro Karnal e a Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil, refletem sobre essas e outras questões, estabelecendo como objetivo principal do livro pensar o que é necessário para alcançar uma sociedade menos agressiva e mais acolhedora.

Atos de violência, escravidão, massacres e assassinatos sempre foram frequentes em todos os períodos da história. “A diferença, hoje, talvez esteja em duas novidades. A primeira é que temos mais informação sobre eles. E a segunda é que existe hoje também, por uma série de fatores, no Ocidente em particular, uma exacerbação do ‘eu’, da sua autoestima e da ideia de que ‘se eu penso assim, isso é o correto’”, aponta Karnal.

Para a Monja Coen, a mídia precisa, sim, “alertar contra os malfeitos e os erros de compreensão humana, alertar contra os preconceitos e as discriminações, alertar contra as várias formas de violência. Mas é preciso também dar visibilidade ao que é benéfico, aos bons exemplos a serem seguidos”.

A proposta para uma cultura de paz remete a “uma revolução muito grande, uma grande transformação individual e social. Porque é necessário modificar todo um sistema educacional, dentro de escolas, universidades, as famílias...”, explica a Monja. “Quando condenamos o hábito alimentar de alguém, o tipo de roupa que ele veste ou a ausência de trajes, estamos falando de algo que incomoda mais a nós mesmos do que qualquer outra coisa, e muito menos sobre o outro, sobre o bem ou sobre a caridade e assim por diante”, acredita o historiador.

A leitura dessa obra leva à reflexão sobre o papel que cada um de nós tem de mudar a atitude da sociedade em relação ao planeta e ao outro. Mais que tolerância, é preciso haver compreensão e respeito, como observa a Monja Coen: “É preciso tolerar alguém que tenha outra forma de pensar, de comer... Mas não se trata de tolerar a outra pessoa como toleramos um remédio amargo e desagradável, apenas porque ele traz a cura. Para mim, devemos compreender e respeitar o outro, o que considero um passo a mais do que tolerar”.



Sobre os autores:

Claudia Dias Batista de Souza, conhecida como Monja Coen, foi jornalista profissional em sua juventude. É missionária oficial da tradição Soto Shu e primaz fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil. Segue os ensinamentos de Buda e participa de encontros educacionais, culturais e inter-religiosos, com o objetivo de difundir princípios em prol da preservação do meio ambiente, da defesa dos direitos humanos e da criação de uma cultura de não violência e paz.

Leandro Karnal é professor doutor na Unicamp, desde 1996. Graduado em História pela Unisinos e doutor em História Social pela USP, possui pós-doutorados pela Unam, México, e pelo CNRS de Paris. Sua formação cruza história cultural, antropologia e filosofia. É membro do conselho editorial das principais publicações acadêmicas da Unicamp e da Unisinos, além de autor de várias obras, como: Felicidade ou morte, em parceria com Clóvis de Barros Filho, e Verdades e mentiras: Ética e democracia no Brasil, junto com Mario Sergio Cortella, Luiz Felipe Pondé e Gilberto Dimenstein, ambas pela Papirus 7 Mares.

Próximos eventos!




terça-feira, 20 de março de 2018

O Outono chegou!!!


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Do livro AS QUATRO ESTAÇÕES 
(poesias de João Proteti e ilustrações de Marília Cotomacci)


A primavera chega com seus versos cheios de cor. O verão, depois, pede poemas fresquinhos, de preferência acompanhados de um delicioso sorvete!
Já o outono vem tímido, sem saber se veste botas ou chinelos. E o inverno?
Descubra aqui o que As quatro estações levaram o João e a Marília a inventar!